(SBT/Reprodução)
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O Estadão destaca a seguinte manchete:

“Silvio Santos repreende [Rachel] Sheherazade e [Danilo] Gentili por comentários políticos”.

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O resto da imprensa embarcou no mesmo enfoque em relação à “saia justa” ocorrida durante o Troféu Imprensa, exibido no SBT na noite de domingo (9).

Muito mais importante, porém, do que as reprimendas “em tom de brincadeira” foi o que Silvio admitiu a Gentili:

“Você não deve falar em política porque você me complica. Não é você que ouve as reclamações, sou eu. Depois me falam ‘manda embora’.”

De fato, uma coluna do insuspeito portal UOL informou há três anos, em abril de 2014, quem transmitiu ao SBT um desses recados:

“Notícias da TV apurou que a medida [de cortar os comentários políticos de Sheherazade] foi tomada sob pressão do governo federal [do PT]. Há duas semanas, Marcelo Parada [o então diretor de jornalismo do SBT e coordenador da campanha de 2010 de Dilma Rousseff] se reuniu em Brasília com o ministro da Secretaria de Comunicação Social [Secom], Thomas Traumann. Na ocasião, Traumann manifestou desconforto com os comentários de Sheherazade. O ministro controla as verbas do governo federal, que investe cerca de R$ 150 milhões em publicidade por ano no SBT.”

Ou seja: em pleno ano eleitoral de 2014, Silvio Santos rendeu-se à ameaça petista de cortar o mortadelão federal da emissora e transformou a única apresentadora da TV aberta brasileira que fazia críticas ao PT em mera leitora de teleprompter.

Este blog contextualizou e comentou aqui, na ocasião, os bastidores do caso, no qual também foi pedida a cabeça do então apresentador do SBT Paulo Eduardo Martins.

Só mesmo “em tom de brincadeira”, portanto, Silvio poderia dizer o que disse a Sheherazade no Troféu Imprensa, não sem ouvir dela a resposta possível a se dar em público ao chefe. Reproduzo o trecho da reportagem do Estadão:

“(…) ‘Você começou a fazer comentários políticos no SBT e eu pedi para você não fazer mais, porque você foi contratada para ler notícias, não para dar sua opinião’, diz Silvio Santos com os braços cruzados, enquanto Sheherazade ri de forma constrangida, com os braços para trás. ‘Se você quiser fazer política, compra uma estação de televisão e faz por sua conta’, acrescenta o apresentador.

A jornalista, na defensiva, argumenta de forma gentil com o chefe. ‘Quando você me contratou, você me contratou para opinar’, diz.

Silvio, entretanto, retruca. ‘Não’, ao que a jornalista dá uma risada constrangida. ‘Eu contratei você para você continuar com sua beleza e com sua voz para ler as notícias do teleprompter’. Silvio segue no ‘puxão de orelha’. ‘Na internet, você pode fazer o que quiser. Combinei com o Danilo [Gentili] que a partir de agora ele só vai elogiar os políticos’.”

É curioso como o mesmo Silvio que não viu problema em manter por quase cinco anos na direção de jornalismo do SBT um ex-coordenador de campanha de Dilma, nem como repórter do principal telejornal da emissora um ex-assessor de Lula, precisa vetar os comentários políticos do humorista e da apresentadora que ousam criticar Dilma, Lula, PT e demais esquerdistas.

O governo petista acabou, mas Silvio Santos continua dócil à patrulha.

As razões disto são o que deveria interessar à imprensa, lamentavelmente mais preocupada em caçar cliques com “saias justas” entre celebridades.

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