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Por onde anda o jogador Amaral?

Aos 39 anos, Amaral segue jogando, encara vulcão e tem outdoor na Indonésia.

Amaral exibe cartaz de publicidade sobre a liga da Indonésia com a sua imagem

Provavelmente pouca gente que acompanha futebol no Brasil imagina que existe um campeonato profissional na Indonésia. Talvez por isso ainda menos torcedores daqui devam saber que o volante Amaral ainda segue jogando, já perto dos seus 40 anos, exatamente neste país. Querido por torcidas de Palmeiras, Corinthians e Vasco em razão da personalidade de entrega ao time, a despeito da limitação técnica, o jogador experimenta hoje uma vida de conforto no desfecho da carreira, com direito a atuação como garoto-propaganda. Mas o “exílio” na Ásia também inclui aventuras como residir do lado de um vulcão adormecido.

Amaral disputou em 2012 a liga da Indonésia pelo segundo ano seguido. O antigo jogador da seleção brasileira chegou ao país quando já se encaminhava para a aposentadoria, depois de defender o Catanduvense. O volante trabalhava como secretário de Esporte de Capivari (SP) quando recebeu um contato de um amigo que estava à procura de veteranos conhecidos, para ajudar o começo do profissionalismo da Indonésia.

Em duas temporadas na Ásia Amaral defendeu dois times, começando pelo Manado United e, em seguida, com a camisa do Persebaya 1927. Aos 39 anos, o veterano deixou de ser meramente um volante marcador para atuar mais adiantado, como uma referência pensante do meio-campo, quem diria. Fora dos campos, atende a idolatria da torcida nas ruas e de jogadores adversários, que geralmente pedem para tirar fotos com o brasileiro após as partidas.

Em seu primeiro ano no país, em 2011, a figura de Amaral estampou uma espécie de propaganda outdoor de uma campanha nacional, com um cartaz que promovia a liga da Indonésia pelas ruas do país.

“Estou com 39 anos, mas com corpinho de 28 anos, fininho. O campeonato acabou aqui, e a liga só começa em fevereiro. Estou voltando para o Brasil agora em novembro. Está tudo enrolado, não sei se vou continuar. Meu time acabou em segundo lugar, o pessoal gosta bastante de mim, estou bem fisicamente e sou um exemplo de pessoa aqui na Indonésia, até porque respeito bastante a cultura deles”, disse Amaral em entrevista ao UOL Esporte.

No meio deste comportamento que Amaral entende como respeito à cultura local está a adaptação ao inusitado hábito de treinar às 6h30 da manhã, para evitar o castigo do sol local. “O pessoal aqui não gosta de ficar preto. Imagina eu então”, afirma.

AVENTURAS NA ÁSIA: SONO AO LADO DE VULCÃO E SOPA DE OLHO

VULCÃO: Amaral tem uma vida de conforto na Indonésia, com direito a motorista particular e casa luxuosa. Mas a residência do brasileiro fica bem próxima de um vulcão inativo. “Ele está dando uma cochilada. Mas, se acordar, a minha casa é a primeira a ser atingida”.
TERREMOTO: No primeiro ano de Indonésia Amaral contou com a companhia do primo Vanderlei no país estrangeiro. E foi com o parente que viveu um susto dos grandes. “A gente estava dormindo, e vi o armário balançar de noite. Achei que fosse um bicho. Fui com o meu primo para a rua, descobrimos que era um terremoto, ficamos embaixo de uma viga. Pensei que a gente iria morrer, todo assustado. Mas tinha um pessoal tranquilo, lavando o carro na rua. Falavam: ‘isso acontece’”.
COMIDA ESTRANHA: Amaral diz que se alimenta bem, se aproveitando da gastronomia internacional disponível na Indonésia. Mas mesmo assim não deixa de se surpreender com a culinária típica local, com pratos como sopa de olho de galinha e sangue de cobra. “Às vezes a gente vai no supermercado e vê cachorro pendurado, morcego pendurado. Mas eu não como. E a comida deles é muito apimentada”.

SAUDADES DO BRASIL: DOIS ANOS SEM VER OS FILHOS

A aventura no futebol asiático fez Amaral abdicar momentaneamente da companhia dos familiares. Separado, o jogador não vê os filhos desde que embarcou para atuar na Indonésia e reconhece que lida cotidianamente com a tristeza da distância no outro lado do mundo.

“Tem o Amaralzinho, de 15 anos, e a Vitória, de 11 anos. Faz dois anos que não vou para o Brasil, minha mãe liga todo dia pedindo para eu voltar. Às vezes falo com meu filho, ele já está com voz grossa, fala: ‘tudo bem, papai?’ (engrossando a voz). Você chora, tem saudades. Mas tem que pagar as contas”, declara.

A Indonésia pintou na vida de Amaral para coroar uma carreira invejável de jogador viajante, com experiências em clubes de Itália, Portugal, Turquia, Arábia Saudita, Polônia e Austrália.

Em breve o torcedor brasileiro terá oportunidade de matar saudades do esforçado volante, de poucos gols marcados, mas muito carisma. Amaral é um dos convidados da partida de despedida do goleiro Marcos em dezembro (dia 12 ou 13), no Pacaembu, em São Paulo. “A gente chegou junto no Palmeiras, moramos junto nos juniores”, diz sobre o amigo.

BIOGRAFIA E GAFE NA ÁFRICA DO SUL: “MARCANDO” O APARTHEID
Quando voltar ao Brasil, o volante pretende concluir um projeto de biografia, em livro que vem sendo trabalhado com a ajuda do jornalista Mauro Beting. Na obra estarão histórias divertidas, com a gafe que cometeu antes de um amistoso da seleção na África do Sul.

“Eu era um jogador sem conhecimento, sem estudo. Fui aprendendo aos poucos. Uma vez na África do Sul a Globo foi me entrevistar. Perguntaram o que eu achava do Apartheid. Falei que era um jogador perigoso, que iria fazer uma marcação individual dele. Falei: ‘se é o 10, tenho que pegar o cara’. Passei a maior vergonha. Na volta o pessoal brincava comigo: ‘pega o Apartheid, Amaral’”

DENER: RIVAL MAIS DIFÍCIL DE MARCAR
“As pessoas falam daquele drible que eu tomei do Romário [Torneio Rio-São Paulo de 1999, no Pacaembu], mas o adversário mais difícil de marcar foi o falecido Dener. Era muito difícil”, diz Amaral.
REBATENDO A FAMA DE COVEIRO
Amaral despontou no futebol brasileiro carregando a reputação de ter sido coveiro na adolescência em Capivari, no interior de São Paulo. O jogador rebate a versão: “Eu era agente funerário, enfeitava e limpava o caixão. Mas aí fizeram uma caricatura minha abrindo um buraco, ficou essa história. Mas nunca fui coveiro”.

 

uol esportes

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