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O desemprego entre dezembro e fevereiro bateu novo recorde e chegou a 13,2%, informou o IBGE na manhã desta sexta-feira (31).
Pela primeira vez, o número de desempregados ultrapassou os 13 milhões: ao todo, foram 13,5 milhões de pessoas procurando emprego no período.
O número representa uma alta de 1,4 milhão com relação ao período entre setembro e novembro, quando a taxa de desemprego foi de 11,9%.
Os dados constam da Pnad Contínua, a pesquisa oficial de emprego do instituto. O indicador abrange trimestres móveis.
Nesta divulgação, o indicador refere-se a janeiro deste ano e aos meses de dezembro e novembro do ano passado.
Em função dos trimestres móveis, o IBGE recomenda comparação de períodos em que não há sobreposição de meses. Neste caso, portanto, a comparação com o trimestre imediatamente anterior é feita com o período de setembro, outubro e novembro.
O desemprego aumentou também na comparação anual do indicador. No trimestre encerrado em fevereiro de 2016, a taxa de desemprego esteve em 10,2%.
Em um ano, o número de pessoas na fila do emprego aumentou 3,2 milhões.
O rendimento trabalhador ficou estável, tanto na comparação com trimestre anterior quanto com o mesmo trimestre de 2016, em R$ 2.068.
O coordenador da área de trabalho e rendimento do IBGE Cimar Azeredo disse que o aumento da taxa de desemprego é normal no primeiro trimestre, refletindo a dispensa de trabalhadores temporários contratados no fim do ano.
CENÁRIO DE CRISE
Mas ele ressaltou que outros dados mostram que o mercado vem sofrendo com o cenário econômico do país.
A taxa de desemprego praticamente dobrou desde o primeiro trimestre de 2014, antes da crise econômica, quando era de 7,7%. Desde então, 6,9 milhões de pessoas entraram na fila do emprego no país.
Na indústria, o número de empregados caiu de 13 milhões para 11,3 milhões entre o trimestre de fevereiro de 2014 e o deste ano. “É o grupamento mais formalizado e perde praticamente 1,7 milhão de pessoas desde a crise”, disse Azeredo.
A construção civil, que se mantinha estável por causa de obras para grandes eventos, atingiu o menor patamar da série histórica, com 6,9 milhões de empregados, 1,1 milhão a menos do que no primeiro trimestre de 2014.
Mesmo para quem ficou no mercado de trabalho, as condições têm piorado: o número de trabalhadores com carteira assinada caiu 337 mil no trimestre e 1,1 milhão na comparação com o mesmo período do ano anterior.
“É uma queda forte e de lenta recuperação. Ao se destruir um posto de trabalho, a recuperação leva tempo”, comentou o economista do IBGE.
Nos últimos meses, a situação começa a afetar também os trabalhadores por conta própria, que vinham segurando a taxa de desemprego no país. São 1,1 milhão de pessoas a menos no trimestre encerrado em fevereiro.
DESACELERAÇÃO DO ÍNDICE
Azeredo diz, porém, que os números começam a mostrar uma desaceleração. O crescimento da taxa de desemprego com relação ao ano anterior, de 30,6%, é inferior aos 40,3% verificados no mesmo período do ao anterior.
A taxa de crescimento na comparação com o trimestre anterior também caiu: de 13,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2016 para 11,7% neste trimestre.
“Estamos diante de um cenário desfavorável, com recordes de desocupação, mas as taxas estão subindo menos com relação ao ano passado”, afirmou Azeredo. Ele evitou, porém, análises sobre a sustentabilidade deste movimento.
O rendimento trabalhador ficou estável em fevereiro, tanto na comparação com trimestre anterior quanto com o mesmo trimestre de 2016, em R$ 2.068.
Segundo Azeredo, a estabilidade tem relação com a menor taxa de inflação, que vem corroendo menos a renda do trabalhador. Mas também reflete demissões em cargos com menores rendimentos, como trabalhadores temporários contratados no fim do ano.
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